Bom Ano Novo Para Todos...
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009

"Então, passeando excitado pelo quarto, levava as suas acusações mais longe, contra o Celibato e a Igreja: porque proibia ela aos seus sacerdotes, homens vivendo entre homens, a satisfação mais natural, que até têm os animais? Quem imagina que desde que um velho bispo diz - serás casto - a um homem novo e forte, o seu sangue vai subitamente esfriar-se? E que uma palavra latina - accedo - dita a tremer pelo seminarista assustado, será o bastante para conter para sempre a rebelião formidável do corpo? E quem inventou isso? Um concílio de bispos decrépitos, vindos do fundo dos seus claustros, da paz das suas escolas, mirrados como pergaminhos, inúteis como eunucos! Que sabiam eles da Natureza e das suas tentações? Que viessem ali duas, três horas para o pé da Ameliazinha, e veriam, sob a sua capa de santidade, começar a revoltar-se-lhes o desejo! Tudo se ilude e se evita, menos o amor! E se ele é fatal, porque impediram então que o padre o sinta, o realize com pureza e com dignidade? É melhor talvez que o vá procurar pelas vielas obscenas!
Porque a carne é fraca!"
Eça de Queirós, 'O Crime do Padre Amaro'
sexta-feira, 6 de março de 2009

...fecha os olhos...
...INSPIRA...
...EXPIRA e sente todo o teu corpo...
...IMAGINA o teu nu, coberto em veludo...
...espreita por UMA JANELA de portas brancas...
...uma janela A ABRIR, onde lá fora...
...o sangue...
...escorre...
...olha NO HORIZONTE os teus pulsos...
...atados em fitas de cetim...
...PARA onde queres ir?...
...queres DESAPARECER...
...despertar num deserto...
...a tua pele branca reflecte o brilho do sol...
...respira fundo!...
...NOVAMENTE...
...corre...
...até parares de respirar!...
...sonha com um lago no deserto...
...onde o teu corpo se move...
...COMO O SILÊNCIO DE UMA SERPENTE...
...agora...
...ABRE OS OLHOS E DIZ-ME!...
...O QUE VÊS?...
terça-feira, 3 de março de 2009

“ O Homem outrora meio príncipe, hoje meio lacaio, vive em interregno; possui apenas um corpo de regência ou de purgatório, a sua essência gloriosa dissipou-se, ela permanece no intervalo, desfolha imagens que não pode encarnar. Mas esta desgraça é também uma possibilidade: libertando-se dos códigos de virilidade, o erotismo masculino pode finalmente descobrir a sua própria policromia, abre-se a prazeres desconhecidos…”
(Em “A Nova Desordem Amorosa” de Pascal Bruckner e Alain Finkielkraut)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A existência de todos os objectos – seja qual for a sua natureza – está condicionada pela imagem em que esses objectos virão a tornar-se. Hoje em dia tudo existe para vir a ser uma fotografia. Como se a fotografia passasse a ser a essência, a natureza das coisas, em vez de ser apenas a sua aparência. É por isto que o ritmo de consumo de imagens é cada vez mais frenético. E contudo as imagens são objectos frágeis que facilmente se rasgam, se perdem ou se manipulam. Imagens dependem de contextos – nada explicam por si mesmas. Mas as imagens despoletam também todos os mecanismos de dedução, especulação e fantasia.
Coleccionar fotografias é coleccionar o mundo. Observar o mundo como se fosse constituído por estes fragmentos obriga a recordar, pensar, acusar, exaltar, consolar, atormentar, sentir – sentir mais? Qual é a natureza do mundo, tendo em conta que o partilhamos com os outros? Todos os dias somos bombardeados com milhares de imagens que mostram a ilimitada perversidade humana. Hoje, já ninguém usa a expressão “parecia um sonho” – quando se deseja exprimir a incapacidade de assimilar de imediato uma catástrofe diz-se: “parecia um filme”. A dimensão de realidade que as imagens adquiriram ultrapassou todas as expectativas. E, no entanto, se as imagens são apenas superfície, aparência, o que é que está por detrás delas? Susan Sontag
Subscrever:
Mensagens (Atom)
























